terça-feira, 27 de outubro de 2009

O calor

 

A calorimetria é a parte da física que estuda os fenômenos decorrentes da transferência dessa forma de energia chamada calor.
Na natureza encontramos a energia em diversas formas. Uma delas, que é muito importante, é o calor. Para entendê-lo, pense em uma xícara de café quente sobre a sua mesa. Após algum tempo esse café estará frio, ou melhor, com a mesma temperatura que o ambiente. Esse fenômeno não é uma exclusividade da xícara de café quente, mas ocorre com todos os corpos que estão em contato de alguma forma e com temperaturas diferentes. Por que isso ocorre?

Temperatura

Os objetos na natureza, assim como nós, são feitos de pequenas partículas que conhecemos como moléculas. Com elas ocorre algo invisível. Elas estão em constante estado de agitação, no caso dos sólidos, ou de movimentação, como ocorre em líquidos ou gases. Essa situação não é constante, elas podem estar mais ou menos agitadas, dependendo do estado energético em que elas se encontram.
O que se observa é que quanto mais quente está o corpo, maior é a agitação molecular e o inverso também é verdadeiro, ou seja, a temperatura é uma grandeza física que está associada de alguma forma ao estado de movimentação ou agitação das moléculas.

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A temperatura no recipiente 2 é maior do que no recipiente 1, pois lá a movimentação molecular é maior.

A temperatura, atualmente, pode ser medida em três escalas termométricas. Celsius, Fahrenheit e Kelvin. A conversão entre essas escalas pode ser feita pelas seguintes relações matemáticas:

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Calor

Considere dois corpos, A e B, que possuem temperaturas diferentes e estão em contato térmico, como ilustra a figura abaixo:

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Após algum tempo, observamos que esses dois corpos encontram-se com a mesma temperatura. O que estava com maior temperatura esfriou e o que estava com menor temperatura esquentou. Quando isso ocorre, dizemos que os corpos estão em equilíbrio térmico e a temperatura final é chamada de temperatura de equilíbrio.
Isso acontece porque o corpo de maior temperatura fornece certa quantidade de energia térmica para o outro de menor temperatura. Essa energia térmica quando está em transito de um corpo para outro é denominada calor.

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Capacidade térmica e calor específico sensível

Os corpos e as substâncias na natureza reagem de maneiras diferentes quando recebem ou cedem determinadas quantidades de calor. Alguns esquentam mais rápido que os outros. Podemos exemplificar isso com a seguinte situação: você está com fome e pretende fazer um macarrão instantâneo.
Para isso, primeiramente, irá aquecer certa quantidade de água. Uma atitude inteligente a ser tomada é colocar exatamente a quantidade de água necessária para isso, pois se você colocar a água em demasia, irá demorar mais tempo para ela chegar à temperatura desejada, além do fato de que o macarrão irá parecer mais uma sopa. Mas, independentemente do resultado final da atividade culinária, o importante para nós é observar que quanto mais água houver na panela, maior será a quantidade de calor necessária para se atingir a temperatura desejada e por isso ela terá uma capacidade térmica maior.
Podemos, então, concluir que a capacidade térmica depende diretamente da massa do corpo e, portanto, pode ser calculada da seguinte forma:

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Onde c é o calor específico sensível da substância de que o corpo é constituído. O calor específico pode ser definido como a capacidade térmica por unidade de massa e é uma característica da substância de que o material é feito.
Observe que estamos falando de uma mesma substância, a água, que quando possui massas diferentes, possui capacidades térmicas diferentes, ou seja, a capacidade térmica é uma propriedade do corpo, e isso é aplicado a outras substâncias na natureza.
A capacidade térmica pode ser medida usualmente em e no Sistema Internacional em , assim como o calor específico é medido usualmente em e, no Sistema Internacional em .

Calor sensível

Como vimos, uma das conseqüências das trocas de calor, é a variação de temperatura do corpo. Se receber calor, esse corpo poderá sofrer um aumento de temperatura e, se ceder calor, uma possível queda de temperatura. É possível calcular a quantidade de calor trocado pelos corpos através da seguinte equação matemática:

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Essa equação é conhecida como a equação fundamental da calorimetria e mostra que o calor sensível depende da massa (m), do calor específico (c) e da variação de temperatura do corpo ( ).

Calor latente

Outra conseqüência das trocas de calor é uma mudança do estado físico dos corpos. Podemos facilmente derreter o gelo, para isso basta deixá-lo à temperatura ambiente e a troca de calor com o meio fará o serviço. Um fato interessante que ocorre durante a mudança de estado físico é que a temperatura do corpo permanece constante, e isso ocorre porque o calor trocado não está sendo usado para alterar o grau de agitação ou movimentação das moléculas.
Nesse caso, ele está sendo usado para alterar o grau de ligação delas. Por exemplo, quando derretemos um corpo, o calor está sendo usado para uma mudança no estado de agregação das moléculas o que o fará, no final, atingir o estado líquido.
Outro fato observado é que quanto mais calor é fornecido para a mudança de estado físico, maior será a massa da substância que sofreu essa transformação. Sendo Q a quantidade de calor trocada para a mudança de estado físico e m, a massa transformada, teremos a seguinte relação:

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A grandeza L é conhecida como calor latente específico e pode ser determinada em , ou no Sistema Internacional em .

A propagação do calor

O calor é uma forma de energia que se propaga do corpo mais quente para o mais frio. Esse processo pode ocorrer por três mecanismos diferentes. A condução, a convecção e a irradiação.

Condução

Processo que ocorre predominantemente nos sólidos e é caracterizada pela transmissão de energia de molécula a molécula. Observe a situação ilustrada abaixo.

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A barra está sendo aquecida em uma extremidade, isso fará que as moléculas que ali se encontram aumentem o seu estado de agitação, e isso irá passar para as moléculas vizinhas aumentando o estado de agitação dessas. Após algum tempo a mão que está segurando a barra sentirá a temperatura aumentar.
Em alguns corpos, esse processo ocorre muito rapidamente, como por exemplo, os metais, e por isso eles são chamados de condutores térmicos, e em outros ocorre o contrário, como por exemplo, a madeira e a água. Esses são chamados de isolantes térmicos.
Em dia frio, é comum usarmos agasalhos grossos para nos proteger das temperaturas baixas. Fazemos isso porque o nosso organismo está a uma temperatura maior que o meio ambiente e por isso estamos propensos a ceder calor. O agasalho não permite que isso aconteça, pois ele é feito de materiais que são isolantes térmicos.

Convecção

A transmissão de calor por convecção ocorre exclusivamente nos fluidos, ou seja, em líquidos e gases. O processo é estabelecido pela movimentação de massa fluida como pode ser observado na figura abaixo.

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Ao se aquecer o recipiente por baixo, a porção de liquido que se encontra na parte inferior irá se aquecer rapidamente. Esse por sua vez dilata e se torna menos denso e, por isso, acaba subindo para a parte superior. O liquido que está em cima está mais frio e mais denso e, por isso, desce. Assim se estabelece uma corrente pela qual o calor é transmitido. Essa corrente é denominada corrente de convecção.
Um exemplo prático é a instalação dos aparelhos de ar condicionado que deve ser feita na parte superior do ambiente. Quando ele é ligado, emite o ar frio que, por ser mais denso, desce para a porção inferior da sala, criando assim uma corrente de convecção e deixando a temperatura ambiente homogênea mais rapidamente.

Irradiação

Sabemos que a condução e a convecção são processos que necessitam de um meio material para ocorrer, ou seja, elas não ocorrem no vácuo.
A irradiação é um processo que pode ocorrer no vácuo e também nos meios materiais, e a sua transmissão é feita por intermédio de ondas eletromagnéticas da faixa do infravermelho. Essas ondas transmitem energia e são absorvidas pelos corpos. Essa absorção provoca uma alteração no estado de movimentação das moléculas alterando, assim, a sua temperatura.
Alguns materiais, como o vidro, são transparentes à radiação visível, mas opacos à radiação infravermelha. Quando deixamos um carro estacionado em um dia ensolarado, o interior se torna muito quente, pois o vidro permite que a luz solar passe. Essa, por sua vez, ao incidir nos objetos que ali estão, fará com que os mesmos emitam a radiação infravermelha. Como o vidro é opaco a essa radiação, ela ficará presa no interior do veículo, fazendo que a temperatura interna se torne mais alta que a externa. Em outras palavras, o carro funcionará como uma estufa.


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Confie…

Jesus

Quando Jesus morreu na cruz, Ele estava pensando em você! Se você faz parte dos  que O apoiam,

Confie…
As coisas acontecem na hora certa.
Exatamente quando devem acontecer!
Momentos felizes, louve a Deus.
Momentos difíceis, busque a Deus.
Momentos silenciosos, adore a Deus.
Momentos dolorosos, confie em Deus.
Cada momento, agradeça a Deus.

Hoje, Senhor, agradeço pela noite maravilhosa, pelo cobertor que me aqueceu, pelo meu alimento, por mais um dia de trabalho.
E principalmente por mais um dia de vida.
Abençoa, Senhor, meus amigos e inimigos, porque eles também precisam de Ti.
Abençoa, Senhor, o meu amigo que está lendo esta mensagem agora, realize os seus sonhos, lhe dê a vitória que lhe é necessária,abençoe com proteção e sabedoria seus filhos e familiares, com gratidão e amor eu oro, no santo nome de Jesus.  
Amém!


Que Deus  abençoe a todos vocês


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Ditadura Militar no Brasil

 

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Introdução

Podemos definir a Ditadura Militar como sendo o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil. Esta época vai de 1964 a 1985. Caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar.

O golpe militar de 1964

A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso. O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria.

Este estilo populista e de esquerda, chegou a gerar até mesmo preocupação nos EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista.

Os partidos de oposição, como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o Brasil enfrentava.

No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central do Brasil ( Rio de Janeiro ), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país.
Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo.
O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 (AI-1). Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos.

GOVERNO CASTELLO BRANCO (1964-1967)

Castello Branco, general militar, foi eleito pelo Congresso Nacional presidente da República em 15 de abril de 1964. Em seu pronunciamento, declarou defender a democracia, porém ao começar seu governo, assume uma posição autoritária.

Estabeleceu eleições indiretas para presidente, além de dissolver os partidos políticos. Vários parlamentares federais e estaduais tiveram seus mandatos cassados, cidadãos tiveram seus direitos políticos e constitucionais cancelados e os sindicatos receberam intervenção do governo militar.
Em seu governo, foi instituído o bipartidarismo. Só estavam autorizados o funcionamento de dois partidos: Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Enquanto o primeiro era de oposição, de certa forma controlada, o segundo representava os militares.

O governo militar impõe, em janeiro de 1967, uma nova Constituição para o país. Aprovada neste mesmo ano, a Constituição de 1967 confirma e institucionaliza o regime militar e suas formas de atuação.

GOVERNO COSTA E SILVA (1967-1969)

Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos e manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país. A UNE (União Nacional dos Estudantes) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil. 

Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas em protesto ao regime militar. 
A guerrilha urbana começa a se organizar. Formada por jovens idealistas de esquerda, assaltam bancos e seqüestram embaixadores para obterem fundos para o movimento de oposição armada.

No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 ( AI-5 ). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial.

GOVERNO DA JUNTA MILITAR (31/8/1969-30/10/1969)

Doente, Costa e Silva foi substituído por uma junta militar formada pelos ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica).

Dois grupos de esquerda, O MR-8 e a ALN seqüestram o embaixador dos EUA Charles Elbrick. Os guerrilheiros exigem a libertação de 15 presos políticos, exigência conseguida com sucesso. Porém, em 18 de setembro, o governo decreta a Lei de Segurança Nacional. Esta lei decretava o exílio e a pena de morte em casos de "guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva".

No final de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de repressão em São Paulo.

GOVERNO MEDICI (1969-1974)

Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente: o general Emílio Garrastazu Medici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido como " anos de chumbo ". A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística são censuradas. Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi (Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna ) atua como centro de investigação e repressão do governo militar.

Ganha força no campo a guerrilha rural, principalmente no Araguaia. A guerrilha do Araguaia é fortemente reprimida pelas forças militares.
O Milagre Econômico

Na área econômica o país crescia rapidamente. Este período que vai de 1969 a 1973 ficou conhecido com a época do Milagre Econômico. O PIB brasileiro crescia a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%. Com investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estruturou uma base de infra-estrutura. Todos estes investimentos geraram milhões de empregos pelo país. Algumas obras, consideradas faraônicas, foram executadas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niteroi.

Porém, todo esse crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga no futuro. Os empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para os padrões econômicos do Brasil.

GOVERNO GEISEL (1974-1979)

Em 1974 assume a presidência o general Ernesto Geisel que começa um lento processo de transição rumo à democracia. Seu governo coincide com o fim do milagre econômico e com a insatisfação popular em altas taxas. A crise do petróleo e a recessão mundial interferem na economia brasileira, no momento em que os créditos e empréstimos internacionais diminuem.
Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura. A oposição política começa a ganhar espaço. Nas eleições de 1974, o MDB conquista 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e ganha a prefeitura da maioria das grandes cidades.

Os militares de linha dura, não contentes com os caminhos do governo Geisel, começam a promover ataques clandestinos aos membros da esquerda. Em 1975, o jornalista Vladimir Herzog á assassinado nas dependências do DOI-Codi em São Paulo. Em janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho aparece morto em situação semelhante.

Em 1978, Geisel acaba com o AI-5, restaura o habeas-corpus e abre caminho para a volta da democracia no Brasil.

GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985)

A vitória do MDB nas eleições em 1978 começa a acelerar o processo de redemocratização. O general João Baptista Figueiredo decreta a Lei da Anistia, concedendo o direito de retorno ao Brasil para os políticos, artistas e demais brasileiros exilados e condenados por crimes políticos. Os militares de linha dura continuam com a repressão clandestina. Cartas-bomba são colocadas em órgãos da imprensa e da OAB (Ordem dos advogados do Brasil). No dia 30 de Abril de 1981, uma bomba explode durante um show no centro de convenções do Rio Centro. O atentado fora provavelmente promovido por militares de linha dura, embora até hoje nada tenha sido provado.

Em 1979, o governo aprova lei que restabelece o pluripartidarismo no país. Os partidos voltam a funcionar dentro da normalidade. A ARENA muda o nome e passa a ser PDS, enquanto o MDB passa a ser PMDB. Outros partidos são criados, como: Partido dos Trabalhadores ( PT ) e o Partido Democrático Trabalhista ( PDT ).

A Redemocratização e a Campanha pelas Diretas Já

Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos.
Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara dos Deputados.


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As Cruzadas

 

Cruzadas Comercio - BRESCOLA As Cruzadas são tradicionalmente definidas como expedições de caráter "militar" organizadas pela Igreja, para combaterem os inimigos do cristianismo e libertarem a Terra Santa (Jerusalém) das mãos desses infiéis. O movimento estendeu-se desde os fins do século XI até meados do século XIII. O termo Cruzadas passou a designá-lo em virtude de seus adeptos (os chamados soldados de Cristo) serem identificados pelo símbolo da cruz bordado em suas vestes. A cruz simbolizava o contrato estabelecido entre o indivíduo e Deus. Era o testemunho visível e público de engajamento individual e particular na empreitada divina.
Partindo desse princípio, podemos afirmar que as peregrinações em direção a Jerusalém, assim como as lutas travadas contra os muçulmanos na Península Ibérica e contra os hereges em toda a Europa Ocidental, foram justificadas e legitimadas pela Igreja, através do conceito de Guerra Santa -- a guerra divinamente autorizada para combater os infiéis.
"Para os homens que não haviam se recolhido a um mosteiro, havia um meio de lavar suas faltas, de ganhar a amizade de Deus: a peregrinação. Deixar a casa, os parentes, aventurar-se fora da rede de solidariedades protetoras, caminhar durante meses, anos. A peregrinação era penitência, provação, instrumento de purificação, preparação para o dia da justiça. A peregrinação era igualmente prazer. Ver outros países: a distração deste mundo cinzento. Em bandos, entre camaradas. E, quando partiam para Jerusalém, os cavaleiros peregrinos levavam armas, esperando poder guerrear contra o infiel: foi durante essas viagens que se formou a idéia da guerra santa, da cruzada".
O movimento cruzadista foi motivado pela conjugação de diversos fatores, dentre os quais se destacam os de natureza religiosa, social e econômica. Em primeiro lugar, a ocorrência das Cruzadas expressava a própria cultura e a mentalidade de uma época. Ou seja, o predomínio e a influência da Igreja sobre o comportamento do homem medieval devem ser entendidos como os primeiros fatores explicativos das Cruzadas.

Tendo como base a intensa religiosidade presente na sociedade feudal a Igreja sempre defendia a participação dos fiéis na Guerra Santa, prometendo a eles recompensas divinas, como a salvação da alma e a vida eterna, através de sucessivas pregações realizadas em toda a Europa.

O Papa Urbano II, idealizador da Primeira Cruzada, realizou sua pregação durante o Concílio de Clermont rompida com a separação da Igreja no Cisma do Oriente, o Papa assim se dirigiu aos fiéis: " Deixai os que outrora estavam acostumados a se baterem impiedosamente contra os fiéis, em guerras particulares, lutarem contra os infiéis. Deixai os que até aqui foram ladrões tornarem-se soldados. Deixai aqueles que outrora bateram contra seus irmãos e parentes lutarem agora contra os bárbaros como devem. Deixai os que outrora foram mercenários, a baixo soldo, receberem agora a recompensa eterna. Uma vez que a terra onde vós habitais, é demasiadamente pequena para a vossa grande população, tomai o caminho do Santo Sepulcro e arrebatai aquela terra à raça perversa e submetei-a a vós mesmos".
A ocorrência das Cruzadas Medievais deve ser analisada também como uma tentativa de superação da crise que se instalava na sociedade feudal durante a Baixa Idade Média. Por esta razão outros fatores contribuíram para sua realização.

Muitos nobres passam a encarar as expedições à Terra Santa como uma real possibilidade de ampliar seus domínios territoriais.

Aliada a esta questão deve-se lembrar ainda de que a sucessão da propriedade feudal estava fundamentada no direito de primogenitura. Esta norma estabelecia que, com a morte do proprietário, a terra deveria ser transmitida, por meio de herança, ao seu filho primogênito. Aos demais filhos só restavam servir ao seu irmão mais velho, formando uma camada de "nobres despossuídos" -- a pequena nobreza -- interessada em conquistar territórios no Oriente por meio das Cruzadas.
Tanto a Cruzada Popular como a das Crianças foram fracassadas. Ambas tiveram um trágico fim, devido à falta de recursos que pudessem manter os peregrinos em sua longa marcha. Na verdade, as crianças mal alcançaram a Terra Santa, pois a maioria morreu no caminho, de fome ou de frio. Alguns chegaram somente até a Itália, outros se dispersaram, e houve aqueles que foram seqüestrados e escravizados pelos mulçumanos. Com os mendigos da Cruzada Popular não foi diferente. Embora tivessem alcançado a cidade de Constantinopla (sob péssimas condições), as autoridades bizantinas logo trataram de afastar aquele grupo de despossuídos. Para tanto, o bispo de Constantinopla incentivou os peregrinos a lutarem contra os infiéis da Ásia. O resultado não poderia ser outro: sem condições para enfrentar os fanáticos turcos seldjúcidas, os abnegados fiéis foram massacrados. Além dessas duas cruzadas, tiveram ainda oito cruzadas oficialmente organizadas, em direção à Terra Santa.

Consequências das Cruzadas

Consequencias CRUZADAS - BRASIL ESCOLA Quando retomamos as motivações das Cruzadas, observamos que esse movimento de ordem religiosa e militar apareceu na Europa com intuito de resolver uma série de entraves que tomavam a Europa Medieval. Por um lado, os cruzadistas tinham o interesse de expulsar os muçulmanos da Terra Santa. Por outro, tinham visível interesse de buscar novas terras que pudessem atender a crescente demanda econômica da população europeia.
Em um primeiro momento, a conquista de terras e o controle da cidade de Jerusalém foram alcançados pelas tropas cristãs. Entretanto, o êxito teve pouca duração mediante as sucessivas vitórias que recolocaram a Terra Santa sob administração muçulmana e as reconquistas dos domínios orientais tomados pelos cristãos. Por fim, os reinos latinos, estabelecidos nas primeiras cruzadas, foram reduzidos a algumas porções da Palestina e da Síria.
Apesar de tais limitações, as Cruzadas tiveram papel fundamental para que a civilização europeia trilhasse novos rumos. Os saques promovidos no Oriente permitiram que uma expressiva quantidade de moedas adentrasse a economia feudal. Com isso, os comerciantes tiveram condições para criar companhias de comércio que transitavam entre o Ocidente e o Oriente. Progressivamente, o medo das terras longínquas perdeu espaço para um renovado espírito empreendedor.
As rotas comerciais permitiram o desenvolvimento das cidades ocidentais e a aproximação dos saberes das civilizações europeia, muçulmana e bizantina. A busca pelo lucro, o racionalismo econômico, o aprimoramento da tecnologia marítima e o racionalismo econômico manifestavam que os antigos ditames feudais não permaneceriam intocados. Do ponto de vista econômico, a antiga feição agrária da Europa ganhava outros contornos.
Os senhores feudais, interessados pelas mercadorias que vinham do mundo oriental, reorganizaram o modelo de produção de suas terras buscando excedentes que pudessem sustentar esse novo padrão de consumo. Além disso, a estrutura rígida do sistema servil cedeu espaço para o arrendamento de terras e a saída de servos atraídos pelo novo modo de vida existente nos espaços urbanos revitalizados. Assim, o feudalismo dava os primeiros indícios de sua crise.
Ao mesmo tempo em que houve o contato entre as culturas, não podemos esquecer que a intolerância religiosa também foi outro importante signo deixado pelas Cruzadas. Do ponto de vista histórico, a perseguição aos judeus e aos muçulmanos se fortaleceu com essas situações de conflito. Não por acaso, podemos notar que os reinos ibéricos, por exemplo, empreenderam uma forte campanha contra indivíduos não cristãos na passagem da Idade Média para a Idade Moderna.
As Cruzadas demonstram que as consequências das ações humanas nem sempre se concretizam conforme seus anseios e expectativas. Contudo, foi essa mesma imprevisibilidade que nos indicou a constituição de novos rumos que romperam o ordenamento feudal. De fato, é praticamente impossível não pensar na contribuição profunda deste evento histórico para que a Europa Moderna ensaiasse os seus primeiros passos.

As cruzadas e o desenvolvimento do comércio

No século XI, a expansão do mundo islâmico estabeleceu o domínio da região da Palestina. Inicialmente, o controle territorial exercido pelos árabes ainda permitiu que a cidade sagrada de Jerusalém fosse visitada por vários cristãos que peregrinavam em direção ao lugar em que Cristo viveu o seu calvário. Contudo, nos fins desse mesmo século, a dominação realizada pelos turcos impediu que a localidade continuasse a ser visitada pelos cristãos.
Nessa mesma época, a ordenação do mundo feudal sofria graves transformações. O fim das invasões bárbaras e a experimentação de uma época mais estável permitiram que a produção agrícola aumentasse e, seguidamente, a população europeia também sofresse um incremento. Interessados em não dividir o seu poder, muitos senhores feudais preferiram repassar sua herança somente ao filho mais velho, obrigando os outros descendentes a viverem de outras formas.
Aqueles que não ingressavam na vida religiosa, buscavam na prestação de serviço militar ou em um casamento vantajoso uma forma de buscar alguma garantia. Contudo, aqueles que não tinham como recorrer a tais alternativas, acabavam vivendo de pequenos crimes, assaltos e cobrança de pedágios sobre aqueles que circulavam a Europa Medieval. Além disso, em algumas propriedades, muitos camponeses não suportavam as obrigações servis e passavam a viver como mendigos e assaltantes.
Foi nesse contexto que o papa Urbano II, em reunião do Concílio de Clermont, convocou a cristandade europeia para lutar contra os infiéis que impediam o acesso à Terra Santa. Todo aquele que participasse da luta contra os muçulmanos teriam os seus pecados automaticamente perdoados. Dessa forma, dava-se início às Cruzadas ou movimento cruzadista.
Mais do que conceder salvação àqueles que pegassem em armas, as Cruzadas também representaram uma interessante alternativa às tensões sociais que se desenhavam na Europa Medieval. A escassez de terras para a nobreza poderia ser finalmente resolvida com o domínio dos territórios a leste. De fato, ao conquistarem domínios na Síria, no Império Bizantino e na Palestina, vários nobres formaram propriedades que deram origem a diversos Estados feudais, conhecidos como reinos francos ou latinos.
A conquista foi logo contra-atacada pelos muçulmanos, que contaram com a liderança militar do sultão Saladino na Terceira Cruzada. Ao fim desse novo embate, as terras conquistadas pelos cristãos se reduziram a algumas regiões do litoral Palestino e da Síria. Dessa forma, não podemos dizer que o movimento cruzadista representou uma solução definitiva à falta de terras que tomava conta da Europa Cristã.
Em contrapartida, o domínio de certas regiões do Oriente Médio acabou permitindo o enriquecimento de algumas cidades comerciais que sobreviveram ao processo de ruralização da era feudal. Locais como Gênova e Veneza aproveitaram as novas oportunidades de comércio, chegando ao ponto de incitar seus mercadores a financiarem a ação militar dos cruzadistas disponibilizando recursos materiais, embarcações e dinheiro para a Quarta Cruzada (1202 - 1204).
Dessa forma, mesmo não sendo uma solução duradoura para os problemas europeus, as Cruzadas foram importantes para a criação de um fluxo comercial que permitiu a introdução de várias mercadorias orientais no cotidiano da Europa. Além disso, o contato com os saberes do mundo bizantino e árabe foi importantíssimo para o progresso intelectual necessário para o desenvolvimento das posteriores grandes navegações.

Fonte: brasilescola


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Império Bizantino

 

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Introdução

Muito se disse que a fé cristã foi o problema mais discutido na sociedade bizantina, levando mesmo ao surgimento de várias heresias.

Nas sociedades da Europa Ocidental isso também ocorreu?

Não, não ocorreu, pelo menos na Alta Idade Média, e não é difícil entender os motivos. Quando a Europa Ocidental viveu o processo de ruralização e a sociedade foi se restringindo aos limites do feudo, isso se manifestou no espírito dos homens da época.

Como? Por quê?

Poderíamos dizer que o espírito dos homens também se enfeudou, se fechou em limites bastantes estreitos: não havia espaço para discussão, e apenas a doutrina cristã pregada pela Igreja Católica Apostólica Romana povoava o pensamento e o sentimento humanos... As idéias cristãs eram colocadas como dogmas, inquestionáveis.

Enquanto isso, o que acontecia na sociedade bizantina?

Lá havia uma civilização urbana, e você sabe o quanto as condições de vida de uma cidade favorecem o desenvolvimento do pensamento.

E você não pode esquecer também o quanto a herança da Filosofia grega, de enorme influência na sociedade bizantina, contribuiu para um clima de polêmicas mais freqüentes, para um hábito de questionamento, típicos do pensamento filosófico.

Assim, não obstante o centro dos debates fossem temas religiosos, várias foram as interpretações surgidas sobre a origem e a natureza de Cristo. Mais ainda, muito embora as heresias fossem fruto das discussões entre os elementos eclesiásticos, elas acabavam por representar interesses políticos e econômicos de grupos sociais diversos.

Você poderá perceber bem isso no caso do Monofisismo. Por quê? Essa heresia difundiu-se nas províncias do Império Bizantino e acabou por ser identificada com aspirações de independência de parte da população síria e egípcia.

Novamente você poderá perceber a relação religião-política-economia se prestar atenção no caso da Questão Iconoclasta...

Enfim, como sempre, ao estudarmos a História das sociedades humanas, precisamos estar atentos à. relação de todos os aspectos da vida humana - o político, o econômico, o social e o ideológico. Apesar de ora um, ora outro, assumir um caráter dominante, você sabe que todos são igualmente importantes, embora o aspecto determinante do modo de vida de uma sociedade seja a forma pela qual os homens se organizara entre si, a fim de, agindo sobre a Natureza, produzirem os alimentos e os utensílios de que necessitam para sobreviverem.

E você já sabe qual era a estrutura econômica da sociedade bizantina, não é mesmo?

Vamos, então, conhecer melhor a vida dessa sociedade que tinha por capital uma cidade "rica em prestígio, mais rica ainda em dinheiro"...

Sua Formação

O Império Bizantino, também conhecido algum tempo pela denominação de Império Romano do Oriente, ofereceu grande contraste com as sociedades da Europa Ocidental:

_ O Império Romano do Ocidente foi incapaz de resistir às migrações dos germanos e hunos, fragmentando-se em reinos independentes, enquanto o Império Bizantino sobreviveu onze séculos, recorrendo à guerra e à diplomacia para repelir, desviar ou enquadrar os inúmeros povos invasores que se abateram sobre seus domínios;

_ As sociedades ocidentais européias até o século XII tenderam à ruralização e à descentralização do poder político, enquanto a sociedade bizantina manteve-se, essencialmente urbana e politicamente subordinada a uma Monarquia Despótica e Teocrática exercida pelo Basileus ou Imperador.

O Império Bizantino, contudo, teve origem romana, e os Imperadores do Oriente sempre afirmaram ser os herdeiros de Roma A crescente decadência e ruralização do Ocidente evidenciaram o contraste com o Oriente, mais rico cultural e economicamente, levando o Imperador Constantino a construir, no Oriente, a cidade de Constantinopla, destinada a ser a nova capital do Império Romano (330).

A cidade foi erguida no litoral da Tracia, entre o Mar Negro e o Mar de Mármara, em local onde outrora existira a colônia grega de Bizâncio. Este fato explica o emprego das denominações de Bizâncio ou Constantinopla para designar a cidade escolhida pelo Imperador Teodósio para ser a capital do Império Romano do Oriente (395). Na divisão então feita, o Oriente compreendia os Bálcãs, ilhas do Mar Egeu, a Ásia Menor, a Síria, a Palestina, o Egito e a Cirenaica:

Drama: “Romanização” ou “Orientalização”?

Em seus primeiros tempos, o Império Romano do Oriente conservou nítidas influências romanas, tendo as dinastias Teodosiana (395 - 457), Leonina (457 - 518) e Justiniana (518 - 610) mantido o latim como língua oficial do Estado, conservado a estrutura e as denominações das instituições político-administrativas romanas etc. A predominância étnica e cultural grega e asiática, entretanto, acabaria prevalecendo a partir do século VII.

Nos séculos IV e V, as invasões de visigodos, hunos e ostrogodos foram desviadas para o Ocidente mediante o emprego da força das armas, da diplomacia ou pelo pagamento de tributos, meios usados pelos bizantinos durante séculos para sobreviver.

Essas ameaças externas puseram em perigo a estabilidade do Império Bizantino, internamente convulsionado por questões religiosas que também envolviam divergências políticas. É o caso do Monofisismo, doutrina religiosa elaborada por Eutiques (superior de um convento de Constantinopla), centralizada na concepção de que só havia a natureza divina em Cristo. Embora considerada heresia pelo Concílio de Calcedônia (451), que reafirmou a natureza divina e a natureza humana de Cristo, a doutrina monofisista propagou-se pelas províncias asiáticas (Ásia Menor, Síria) e africanas (Egito), onde se identificou com aspirações de independência.

No século VI, Bizâncio teve no reinado de Justiniano (527 565) um dos períodos marcantes: a “primeira idade de ouro” segundo expressão de Paul Lemerle. Empenhado em reagir contra a orientalização do Império e o domínio do Ocidente pelos bárbaros, imprimiu a seu governo duas diretrizes básicas: a consolidação da autoridade imperial e a reconstituição do antigo Império Romano, mantendo o Mar Mediterrâneo como eixo da economia imperial.

Justiniano conservou ou restabeleceu os quadros administrativos romanos em todo o Império. O Direito Romano foi revisado e atualizado, para fortalecer juridicamente as bases do poder imperial e dotar o Estado de um sistema jurídico eficiente. O resultado desse trabalho é conhecido pela denominação de Corpus Juris Civilis, compreendendo quatro partes:

_ O Código de Justiniano (Novus Justinianus Codex), que continha toda a legislação romana revisada desde o Imperador Adriano

_ ODigesto ou Pandectas, que incluía um sumário da jurisprudência romana;

_ As Institutos, que constituíam um resumo para ser utilizado pelos estudiosos de Direito;

_ As Novelas ou Autênticas, que reuniam as novas leis de Justiniano.

A importância do Corpus Juris Civilis pode ser assim avaliada: “Foi neste Corpus Juris Civilis, obra-prima do Direito Romano, que os legistas da Idade Média e dos Tempos Modernos estudaram esta ciência, e foi também ele que serviu de base aos nossos códigos atuais.” – Segundo GENICOT, L. e HOUSSIAU, P., in  “Le Moyen Age”, Coleção Histoire et Humanités)

Uma política de numerosas construções públicas, atendendo a objetivos militares – centenas de fortificações (fortalezas e castelos) foram erguidos para melhor guarnecer as fronteiras - e políticos - evidenciar o poder imperial mediante obras monumentais como a Basílica de Santa Sofia - constituiu aspecto marcante do período.

A Corte imperial tornou-se mais requintada, subordinando-se à rígida etiqueta perante o Imperador ou Basileus: considerado o representante de Deus na Terra, seus poderes eram concebidos como de origem divina e todos deviam-lhe irrestrita obediência.

O caráter teocrático da Monarquia evidenciava-se nas representações da figura do Imperador em pinturas, vitrais e outras obras de arte : a cabeça imperial era rodeada de um halo, semelhante às imagens de santos. Ainda que continuasse a tradição do Dominato, o Dominus Noster inspirava-se nas Monarquias Despóticas e Teocráticas do Oriente.

Utilizando-se de poderosa frota de guerra e de numerosos exércitos, o imperador Justiniano empreendeu diversas campanhas militares no Mediterrâneo Ocidental, onde conquistou o Reino Vândalo (África do Norte), o Reino Ostrogodo (Península Italiana) e a região sudeste do Reino Visigodo (Península Ibérica).

        No dizer de Paul Lamerle, “(...) para ressuscitar a parte morta do Império, desenvolveu um esforço gigantesco que esgotou a parte viva”. (Histoire de Byzance, Coleção "Que Sais-je?" PUF., pág. 46.). Com efeito, as conquistas foram precárias, pois as forças de ocupação demonstraram-se insuficientes e as regiões reconquistadas estavam economicamente arruinadas. Além do mais, as campanhas desviaram recursos humanos e financeiros que deveriam ter sido utilizados contra crescentes ameaças nas fronteiras orientais (a pressão da Pérsia Sassânida foi contida por meio do pagamento de pesados tributo) e balcânicas (ávaros e eslavos realizavam constantes invasões, sendo que os últimos começaram a ser instalados como colonos nos Bálcãs).

A fim de cobrir os gastos com guerras e pagamento de tributos, o governo adotou rigorosa política fiscal, fator de inquietação social, como se evidenciou na Sedição Nika.

Iniciada no Hipódromo de Constantinopla, resultou de múltiplas causas, como a reação contra a tirania fiscal, o descontentamento de monofisistas contra a opressão imperial etc.

O movimento alastrou-se pela cidade e, para sufocá-lo, as tropas imperiais massacraram milhares de pessoas.

Em síntese, “(...) o balanço deste reinado foi decepcionante. A. ameaça persa continuava na fronteira síria; a reconquista do Ocidente foi apenas parcial; os esforços de romanização pouco sucesso tiveram e o latim, língua oficial do Império, só era compreendido por uma minoria”. (ARONDEL, M. e outros, op. cit., pág. 152)

"Os Bárbaros contemplavam com assombro os vestíbulos, as salas imensas e os gigantes da guarda. Viam escudos de ouro, lanças rutilantes de ouro, capacetes de ouro, penachos escarlates (...) Contemplavam as outras maravilhas desta pompa ilustre. Acreditavam que o palácio dos Romanos era um outro céu (...) Quando a cortina foi aberta (...) o ávaro levantou os olhos para o César, cuja fronte era cingida por faiscante diadema sagrado. Três vezes ajoelhou-se, prosternou-se, adorou o Imperador e permaneceu como rosto junto ao chão."

(Flávio Corippus [530-585], De Laudibus Justini. Citado por GENICOT, L. e HOUSSIAU, P., op. cit., págs. 42 e 44.)

O Império se Orientaliza...

O final do século VI foi marcado pela regressão das fronteiras imperiais. Na Península Italiana, os domínios bizantinos sofreram ataques dos lombardos. Nos Bálcãs, povos eslavos, juntamente com os ávaros, começaram a se sedentarizar, continuando novas ondas migratórias a chegar até o século VIII. No Oriente Próximo, a Pérsia Sassânida, empenhada em controlar rotas comerciais. de acesso ao Mediterrâneo, reiniciou guerras ofensivas e se apoderou da Síria, Palestina e Egito.

A grave crise que ameaçou a continuidade do Império exigiu modificações nas instituições imperiais, o que foi realizado pela dinastia Heráclida ou Heracliana (610 - 717).

O costume de conceder terras a particulares em troca da prestação do serviço militar foi então iniciado e mantido até o século XI. A concessão era hereditária e obrigava um dos membros da família ao serviço militar. Com isso o Estado resolveu vários problemas:

_ A redução das rendas estatais diminuíra a possibilidade de pagar um soldo aos indivíduos recrutados para os exércitos;

_ Atacou as grandes propriedades, cujos proprietários constituíam uma força contrária ao poder central;

_ Multiplicou as pequenas propriedades, cujos novos proprietários eram cultivadores e soldados;

_ Assimilou populações eslavas que, inclusive, tiveram muitos de seus componentes instalados na Ásia Menor.

A reorganização do Estado também atingiu a administração, que foi estruturada em bases militares: criaram-se os Temas (subdivisões administrativas que dispunham de tropas para a defesa) submetidos aos Estrátegas (governantes dispondo de poderes militares e civis).

De grande importância foi o emprego do fogo grego ou greguês, arremessado de tubos munidos de propulsores. Ao explodir, o projétil espalhava um líquido inflamado, pois era feito à base de derivado do petróleo (nafta). Graças ao seu emprego, vários combates foram vencidos pelos exércitos e frotas bizantinos.

Essas e outras medidas detiveram a desintegração do Império, territorialmente diminuído e com uma população predominantemente grega e asiática.

O embasamento grego e asiático tinha suas raízes nos primórdios de Bizâncio e, apesar da influência romana e ocidental, acabou impondo-se e caracterizando a Civilização Bizantina. Foi grega e asiática a religião cristã que se desenvolveu em Bizâncio, com características bem distintas do Cristianismo romano e ocidental: este voltou-se mais para a organização da Igreja e para a conversão dos pagãos, enquanto aquele teve no monaquismo e nas controvérsias teológicas aspectos marcantes. Foi grega e asiática a estrutura econômica que se manteve por longo tempo no Império Bizantino, cuja prosperidade contrastou, por séculos, com as regiões ocidentais do antigo Império Romano.

Ainda que a agricultura até o século XI apresentasse uma gradual transformação para o modo de produção feudal, como ocorria na Europa Ocidental, a transição do escravismo ao feudalismo foi mais lenta. Além do mais, o Império Bizantino incluía em seus limites, embora em regiões da periferia, áreas com uma infra-estrutura fundamentada no modo de produção asiático, como foi o caso da Síria, da Palestina e do Egito, incorporados ao Império Árabe, no século VII.

Grega e asiática era a tradição urbana do Império Bizantino, que tinha no artesanato (refinado e submetido á rígido controle do Estado) e no comércio (monopólio do Estado durante séculos) duas importantes fontes de riqueza.

Desde Heráclio (610 - 641), fundador da dinastia dos Heráclida, o Império tornou-se grego e oriental, sendo o latim abandonado como língua oficial e substituído pelo grego, utilizado na legislação, na administração e na denominação dos cargos: Estrátegas, Basileus etc.

Com os Heráclida nova ameaça abateu-se sobre o Estado bizantino: os árabes. A expansão árabe resultou na perda de diversas regiões do Império Bizantino.: ilhas do Mediterrâneo Oriental, o Egito, a Síria e a Palestina, as três últimas recém-reconquistadas à Pérsia Sassânida e de grande importância econômica.

A Questão Iconoclasta

Já no século VIII, quando os árabes avançando pela Ásia Menor preparavam o assalto final a Constantinopla, ascendeu ao poder nova dinastia, de origem asiática: a Isáurica ou Isáuria (717 - 802). Seu fundador foi Leão III (717 - 741)., cujo reinado, juntamente com o de seu filho e sucessor Constantino V (741 - 775), caracterizou-se pela contra-ofensiva contra os Omíada, frustrados no ataque terrestre e naval contra Constantinopla (717) e rechaçados da Ásia Menor pelos bizantinos.

O período, no entanto, teve como aspecto marcante a Questão Iconoclasta, de profundas implicações, inclusive externas.

No Império Bizantino as influências helenísticas e orientais resultaram na estreita ligação entre Igreja e Estado, concretizada no Cesaropapismo: ao Basileus cabia a chefia da Igreja e do Estado. Tal situação funcionava como arma de dois gumes: na condição de protetor da Igreja poderia gerir seus bens e preencher os cargos eclesiásticos, o que reforçava o poder imperial; em contrapartida, as reações à ortodoxia religiosa refletiam resistências de oposições ao poder central, que transformavam controvérsias religiosas em problemas políticos decorrentes de contradições sócio-econômicas, como se deu com a Questão Iconoclasta.

Só podemos entender a Questão Iconoclasta enquandrando-a no contexto da transição do escravismo ao feudalismo. Com efeito, os ícones eram as imagens, pequenas ou grandes, representando pessoas santificadas ou o próprio Cristo; feitos nos mais diversos materiais, incorporaram-se às cerimônias de culto da sociedade bizantina. Entre os principais produtores de ícones encontravam-se os monges que obtinham grandes lucros com a venda de imagens. Essas riquezas reforçavam ainda mais o poderio dos monges, cujas ordens possuíam grandes propriedades isentas de tributos, exerciam grande influência na sociedade e constituíam uma ameaça ao poder central porque representavam o avanço da feudalização.

É certo ainda que o culto das imagens era visto por muitos, sobretudo asiáticos, como idolatria, os quais defendiam concepções mais espiritualizadas da religião, onde não haveria práticas supersticiosas como queimar incenso, iluminar círios, crença em relíquias ou culto de imagens.

Foi Leão III, de origem asiática, quem determinou a proibição do culto de imagens (ícones) e sua destruição - ou iconoclastia -, medida que atingiu ainda outras práticas consideradas pagãs (726). O objetivo visado era enfraquecer o poder dos monges que reagiram provocando revoltas contra o Basileus. A cisão interna aprofundou-se quando os monges obtiveram o apoio das populações balcânicas, da maioria do clero e dos marinheiros (geralmente gregos), que consideravam a destruição de imagens um sacrilégio e uma heresia.

Sustentado pelo exército, cujos soldados eram na maioria de origem asiática, Leão III determinou o confisco dos bens dos mosteiros e a redistribuição das terras entre os soldados, prosseguindo a política de reação do poder central contra os setores feudais. Embora fossem reprimidas as sublevações provocadas pelos monges e mantidas as expropriações de seus bens, a Questão complicou-se porque o Papado considerou herética a destruição dos ícones e condenou as demais medidas contra os monges.

Apesar disso, Leão III e seus sucessores mantiveram-se firmes na política adotada contra o culto de ícones. A Questão Iconoclasta serviu, no entanto, para aprofundar divergências com o Papado, que acabou se aproximando dos francos e coroando Imperador a Carlos Magno, o que politicamente representou um desprestígio para os Imperadores bizantinos, face à criação do Novo Império Romano do Ocidente (800). Além do mais, a crise interna do Império Bizantino impossibilitou o envio de ajuda militar à Península Italiana, onde o Exarcado de Ravena e demais províncias bizantinas foram conquistadas pelos lombardos.

No século IX, a Basilisca Teodora revogou as leis iconoclastas, e restabeleceu o culto das imagens (842). Novamente o poder dos monges voltou a crescer, como se evidencia no depoimento do Basileus Nicéforo Focas (963 - 969): “Os monges não possuem nenhuma das virtudes evangélicas; não pensam senão na aquisição de terra, na ereção de enormes edifícios e na compra de grande número de cavalos, bois, camelos e de todos os tipos de criação. Dedicam todas as energias ao próprio enriquecimento, de sorte que a vida deles em nada difere das pessoas que vivem no mundo.” (SHERRARD, P., Bizâncio, Biblioteca de História Universal Life, Livraria José Olympio Editora, pág. 100.)

Apogeu e Decadência de um Império

Os séculos IX e X constituíram um dos períodos de apogeu da sociedade bizantina, a segunda idade de ouro, segundo Paul Lemerle, e que correspondeu ao governo da dinastia Macedônica (867 - 1056).

Desenvolvendo uma política externa expansionista, os imperadores Macedônicos reconquistaram ilhas do Mediterrâneo Oriental (Chipre, Creta) e regiões da Itália Meridional, como a Sicília, que era importante celeiro de trigo. Nos Bálcãs, os búlgaros foram submetidos definitivamente, tendo a conversão dos húngaros e russos ao Cristianismo ampliado a influência cultural e a área de ação comercial bizantina.

A conversão dos povos eslavos e a prosperidade do Império. Bizantino realçaram o prestígio e a importância do Patriarca de Constantinopla, que se considerava o supremo dirigente da cristandade, não aceitando a teoria da supremacia do poder pontifical. Desde a extinção do Império Romano do Ocidente, assim como os Imperadores bizantinos afirmavam sua condição de herdeiros de Roma, os Patriarcas apregoavam sua primazia na direção da Igreja. Essa divergência levara a freqüentes atritos entre o Papado e os Patriarcas, ocasionando rompimentos efltre a Igreja Cristã Ocidental e a Igreja Cristã Oriental, como se verificou com a Questão Iconoclasta.

O Cristianismo, em sua evolução, assumiu características diferentes na Europa Ocidental e em áreas do Império Bizantino, seja no ritual oriental (celebrado em grego), seja na disciplina (a subordinação da Igreja ao Estado bizantino) e nas crenças (rejeição do Purgatório pelos orientais).

A cisão seria inevitável e se deu quando o Papa Leão IX e o Patriarca Miguel Cemlário entraram em conflito a respeito da jurisdição sobre dioceses da Itália Meridional, excomungando-se mutuamente. Não se acreditava que a ruptura fosse definitiva, mas a intransigência do Patriarca e do Papa ; explicável porque a questão envolvia interesses econômicos relativos à arrecadação das rendas daquelas dioceses e interesses políticos antagônicos sobre a direção suprema da cristandade - consumou o Cisma do Oriente, em virtude do qual criaram-se. duas Igrejas: a Igreja Cristã Ortodoxa Grega, subordinada ao Patriarcado de Constantinopla, e a Igreja Católica Apostólica Romana, dirigida pelo Papado (1054).

A prosperidade alcançada deveu-se sobretudo às riquezas acumuladas com os rendimentos da terra, da indústria artesanal - intensamente desenvolvida era a produção de artigos de luxo realizada nas oficinas estatais - e do comércio. A atividade mercantil estava submetida ao controle do Estado e, apesar dos ataques árabes, manteve-se florescente, funcionando Constantinopla como intermediária entre o Extremo Oriente e o Ocidente: através da "rota da seda", que atravessava toda a Ásia Central, fluíam especiarias, perfumes, seda, pedras preciosas etc, que, chegados ao Mar Negro, eram transportados pelas embarcações bizantinas aos portos do Mediterrâneo.. As cidades italianas, em especial Veneza, redistribuíam aquelas mercadorias pela Europa Ocidental. Constantinopla foi também importante centro financeiro, onde os cambistas permutavam moedas das mais diversas procedências trazidas pelos mercadores estrangeiros.

Apesar disso, a feudalização progrediu com o crescente predomínio dos grandes senhorios em detrimento das pequenas propriedades de cultivadores independentes e de camponeses-soldados, e até mesmo das terras da Coroa. As estruturas feudais foram reforçadas sob a dinastia dos Comneno (1081 - 1185), cuja ascensão marcou a vitória dos setores feudais sobre a aristocracia urbana que dirigia o Império. Adotando o costume de conceder terras em troca da prestação de serviços, sendo a concessão acompanhada do direito de receber impostos dos camponeses e de ministrar justiça, os Comneno fortaleceram os mosteiros e a nobreza feudal, convertidos em forças desintegradoras do poder central.

Externamente novas ameaças surgiram no século XI: nos Bálcãs, sérvios e petchenegues invadiram províncias bizantinas; na Itália do Sul, os normandos apoderaram-se da Sicília e demais regiões bizantinas; no Oriente Próximo, os turcos seldjúcidas ocuparam a Síria e. a maior parte da Ásia Menor, privando o Império Bizantino de territórios onde se encontravam importantes rotas de comércio e eram recrutados elementos para o exército.

A gravidade da situação levou os Comneno a recorrer ao Papado, pedindo ajuda contra os turcos seldjúcidas, precipitando com isso as Cruzadas que acabaram arruinando o Império Bizantino. Recorreram também, a. Veneza, solicitando o apoio de sua esquadra contra os normandos que atacavam os Bálcãs; em troca, os venezianos receberam amplas concessões comerciais. Ora, tal situação privou o Estado de uma das principais fontes de receita e retirou ao Império Bizantino a condição de intermediário do comércio entre o Extremo Oriente e o Ocidente.

Reagindo contra isso, a dinastia dos Ângelo (1185 - 1204) anulou os privilégios concedidos a Veneza que, em represália, desviou a Quarta Cruzada contra Constantinopla (1204), cuja conquista resultou no Império Latino do Oriente.

“O altar sagrado da grande igreja de Santa Sofia, feito de todas as espécies de matérias preciosas e admirado em todo o mundo, foi despedaçado e repartido pelos soldados, tal como as outras riquezas sagradas dum esplendor infinito. Quando os vasos sacros e os objetos duma arte e duma graça inexcedíveis (...) e as guarnições de ouro e prata cinzelada (...) e as portas e outros ornamentos foram levados como despojo, as mulas e os cavalos arreados foram introduzidos no santuário do templo. Alguns de entre eles, que não conseguiam equilibrar-se no lajedo escorregadio, eram apunhalados até cair, de tal modo que o admirável chão sagrado ficou [todo] poluído de sangue e esterco. Além disso, uma prostituta (...) insultando Cristo, sentou-se na cadeira patriarcal, para cantar uma canção obscena, e dançou freneticamente.”

(Nicetas Acominato, Crônicas. Citado por FREITAS, G, de, op. cit., pág. 152.)

“Constantinopla, glória dos Gregos, rica em prestígio, mais rica ainda em dinheiro (...)”

(Depoimento do Monge Eudes, secretário de Luís VII, Rei de França. Citado por GOTHIER, L, e TROUX, A; op..cit., pág. 236.)

A Derrocada do Império Bizantino

Embora fosse efêmero o Império Latino do Oriente (1204 - 1261) , Veneza e os senhores feudais ocidentais só foram expulsos pelos bizantinos com a ajuda de Gênova.

Em conseqüência, o Império Bizantino restaurado pela dinastia dos Paleólogo (1261-1453) reduziu-se a algumas ilhas do Mar Egeu, a pequena parte da Ásia Menor e da Península Balcânica. Além do mais, seus recursos econômicos eram limitados, porque os genoveses desfrutavam de isenções fiscais e liberdade de ação comercial no Império Bizantino.

A agonia do Império prolongou-se por mais dois séculos, cada vez mais debilitado pelas lutas internas e pelos ataques dós sérvios, que haviam formado poderoso Estado nos Bálcãs, e dos turcos otomanos, convertidos em novos senhores do antigo Califado de Bagdá.

Ao longo do século XIV, os turcos otomanos ocuparam a Ásia Menor, os Bálcãs e reduziram o Império Bizantino unicamente à cidade de Constantinopla.

Quando reinava Constantino XI (1448 - 1453) , o Sultão Maomé II cercou a cidade, por terra e por mar. Utilizando-se de poderosa artilharia abriu brechas nas muralhas defensivas de Constantinopla e conquistou a cidade, que foi transformada em capital do Império Otomano, com o nome de Istambul (1453).

“Direitos que se pagam em Constantinopla, na alfândega do Imperador pelos gêneros que os mercadores trazem e levam: Os genoveses e os venezianos têm entrada e saída francas, não pagam nada. (...) Os florentinos, provençais, catalães, anconianos, sicilianos e todos os outros estrangeiros pagam 2% ao entrar e 2% (...) ao partir; e são obrigados a pagar ao mesmo tempo a entrada e a saída (...)”

(Francisco Balduci Pegolotti, La Pratica della Mercatura. Citado por FREITAS, G, de, op. cit., págs. 117 e 118.)

“Em virtude da escassez de dinheiro, o esplendor da corte bizantina desapareceu. As jóias das coroas eram vidro, os mantos não eram verdadeiro pano de ouro mas brocadilho, os pratos eram- de cobre, e tudo quanto parecia rico brocado era apenas couro pintado.”

(Depoimento de um observador da época. Citado por SHERRARD, P., op. cit., pág. 166.)

Herança da Civilização Bizantina

A Civilização Bizantina exerceu profunda influência sobre as sociedades medievais, particularmente sobre as sociedades eslavas, às quais transmitiu muitas de suas instituições político-jurídicas e realizações culturais.

Em sua prolongada existência, a sociedade bizantina fundiu elementos culturais latinos, gregos e asiáticos, condicionados pelo Cristianismo, criando uma civilização marcada pela originalidade.

A Arte expressou-se particularmente na edificação de igrejas, mosteiros e palácios, refletindo a sua subordinação à religião e ao Estado. Das construções civis. (palácios, aquedutos etc.) quase nada restou, mas não ocorreu o mesmo com os templos, muitos dos quais sobreviveram até hoje. As igrejas bizantinas apresentavam construções de abóbadas múltiplas e formas variadas (planos quadrados, octogonais, em cruz grega etc), mas sua originalidade estava no emprego de cúpulas e na singeleza do exterior, contrastando com a suntuosidade da decoração interior, onde sobressaíam os mosaicos dos vitrais, paredes e tetos. O templo mais famoso é a Basílica de Santa Sofia, em Constantinopla, com monumental cúpula sobreposta a uma construção quadrada.

A Pintura, essencialmente decorativa, manifestou-se em afrescos representando santos e anjos, os dirigentes etc., cujas figuras geralmente são estáticas com fisionomias que apresentam linhas de sofrimento, benevolência e misticismo.

A Escultura foi igualmente decorativa. Baixos-relevos de construções, trabalhos em marfim (capas de livros, por exemplo) e ícones constituíram as formas mais desenvolvidas.

A atividade literária, realizada inicialmente em latim e depois em grego, teve uma produção rica em variedade, qualidade e quantidade. Escritos em prosa ou verso, os manuscritos freqüentemente eram ilustrados com iluminuras, em que os artistas davam asas à imaginação para a concretização da ilustração, ou subordinavam-se à rígida e severa orientação da Igreja. Predominaram as composições de conteúdo religioso: hinos sacros, assuntos de Teologia, vida de santos etc. Embora tendendo a imitar os clássicos greco-romanos, a Literatura profana exprimiu-se nos mais variados gêneros, como a poesia epigramática e a poesia lírica, tratados sobre diplomacia e técnicas de guerra, enciclopédias, narrativas de viagens, romances épicos (o mais popular foi Digenes Akrites, comparável em qualidade à Canção de Rolando) e narrativas históricas, entre as quais a História Arcana, de Procópio de Cesaréia (500 - 565), e a Alexíada de Ana Conieno (1083 - 1148).

Assumiu particular importância a compilação de escritos da Antiguidade Clássica, possibilitando a preservação de trabalhos de autores gregos e até latinos. Essas compilações, realizadas por copistas anônimos, eram mantidas em bibliotecas imperiais, dos mosteiros ou de particulares, sendo mais tarde, transmitidas aos ocidentais e a outras sociedades.

“Abd Allah al-Ma’mún (...) entrou em entendimentos com os Imperadores de Bizâncio, deu-lhes ricos presentes e lhes solicitou a doação dos livros de Filosofia que possuíam. Os Imperadores enviaram-lhe obras de Platão, de Aristóteles, de Hipócrates, de Galeno, de Euclides, de Ptolomeu etc. Al-Ma’mún então escolheu eméritos tradutores e os encarregou de traduzir o melhor possível aquelas obras. A tradução sendo feita com toda a perfeição possível, o Califa estimulou seus súditos a lê-las e os encorajou a estudá-las. Em conseqüência, o movimento científico desenvolveu-se no reinado deste príncipe.”

Fonte: www.culturabrasil.org/bizancio.htm


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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Técnicas de Redação

 

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Apostila voltada para redações que costumam cair principalmente em concursos.

Nela contém ensinamentos, dicas e truques para redações narrativas e descritivas.

Nº de páginas:52
Tamanho:300Kb
Formato:PDF
Idioma:Português

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O Vidro que separa…

O talento educa-se na calma, o caráter no tumulto da vida.(Goethe)

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Todas as falhas humanas provêm da impaciência.

"... mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus... (Isaías 59:2)"

QUEBRE O VIDRO!
Dino era um menino cuja família era extremamente pobre. Nas festividades do Natal ele não ganhou nenhum presente, mas costumava olhar nas vitrines das lojas tudo aquilo que outros meninos de sua idade costumavam receber e isso lhe trazia grande excitação. Logo no início do ano ele foi atropelado por um carro e levado a um hospital. Uma das enfermeiras, levou-lhe alguns brinquedos para que ficasse um pouco mais alegre. Ao tocá-los, com grande regozijo ele exclamou: "Não existe nenhum vidro entre mim e os brinquedos!"
Muitas vezes não podemos tomar posse de tantas bênçãos que Deus tem nos oferecido porque ainda existe um vidro de separação entre nós e o Senhor. Esse vidro pode ser motivado por rebeldia, desobediência, indiferença às coisas celestiais, etc. É o vidro do pecado.
Quando deixamos que nossos interesses pessoais, o desamor, a cobiça, a avareza e tantos outras atitudes pequenas tomem lugar em nosso coração, acabamos construindo um vidro que não permite que cheguemos à presença de Deus, mas ao abrir mão de tudo isso em favor do amor, da fé, da esperança e certeza de que apenas em Cristo podemos alcançar a verdadeira felicidade, então todos os vidros são quebrados e a nossa ligação com o Pai se torna real e verdadeira.
Se ainda existe um vidro separando você do Senhor Jesus, quebre-o agora e deixe o Senhor ocupar o lugar que lhe pertence!

Paulo Barbosa, Pr.


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Escritor Paulo Coelho

gal_2007O Escritor brasileiro PAULO COELHO nasceu em 1947, na cidade do Rio de Janeiro. Antes de dedicar-se inteiramente à literatura, trabalhou como diretor e ator de teatro, compositor e jornalista.

PAULO COELHO escreveu letras de música para alguns dos nomes mais famosos da música brasileira, como Elis Regina e Rita Lee. Seu trabalho mais conhecido, porém, foram as parcerias musicais com Raul Seixas, que resultou em sucessos como Eu nasci há dez mil anos atrás, Gita, Al Capone, entre outras 60 composições com o grande mito do rock no Brasil.

Seu fascínio pela busca espiritual, que data da época em que, como hippie, viajava pelo mundo, resultou numa série de experiências em sociedades secretas, religiões orientais, etc.

Em 1982, editou ele mesmo seu primeiro livro, Arquivos do Inferno, que não teve qualquer repercussão. Em 1985, participou do livro O Manual Prático do Vampirismo, que mais tarde mandou recolher, por considerar, segundo suas próprias palavras, ''de má qualidade''.

Em 1986, PAULO COELHO fez a peregrinação pelo Caminho de Santiago, cuja experiência seria descrita em O Diário de um Mago. No ano seguinte (1988), publicou O Alquimista, que - apesar de sua lenta vendagem inicial, o que provocou a desistência do seu primeiro editor - se transformaria no livro brasileiro mais vendido em todos os tempos. Outros títulos incluem Brida (1990), As Valkírias (1992), Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei (1994), a coletânea das melhores colunas publicadas na Folha de São Paulo, Maktub (1994), uma compilação de textos seus em Frases (1995), O Monte Cinco (1996), O Manual do Guerreiro da Luz (1997), Veronika decide morrer (1998), O demônio e a Srta. Prym (2000), a coletânea de contos tradicionais em Histórias para pais, filhos e netos (2001), Onze Minutos (2003), O Zahir (2005), A Bruxa de Portobello (2006) e a compilação de textos Ser como o rio que flui (2006), que está publicado apenas em alguns países.

Fez também a adaptação de O dom supremo (Henry Drummond) e Cartas de Amor de um Profeta (Khalil Gibran).

PAULO COELHO vendeu, até hoje, um total de 100 milhões de exemplares e, de acordo com a revista americana "Publishing Trends", foi o autor mais vendido do mundo em 2003, com o livro Onze Minutos - apesar do livro ainda não ter sido lançado nos Estados Unidos, Japão, e mais dez países (o lançamento ocorreu apenas em 2004). Também na lista de "Publishing Trends", O Alquimista se encontra em sexto lugar de vendas mundiais em 2003. Onze Minutos atingiu o primeiro lugar em todos os países onde foi lançado, exceto Inglaterra, onde ficou em segundo lugar. O Zahir, publicado em 2005, ficou em terceiro lugar da lista dos mais vendidos da Publishing Trends, abaixo do Código da Vinci e Anjos e demônios, de Dan Brown.

O Alquimista é um dos mais importantes fenômenos literários do século XX. Chegou ao primeiro lugar da lista dos mais vendidos em 74 países, e vendeu, até o momento, 35 milhões de exemplares. Este livro lhe rendeu em 2008 Prémio Guinness World Record pelo livro mais traduzido no mundo (67 idiomas).

Tem sido elogiado por pessoas tão diferentes como o premio Nobel Kenzaburo Oe e a cantora Madonna, que o considera seu livro favorito. Já foi fonte de inspiração de vários projetos - como um musical no Japão, peças de teatro na França, Bélgica, USA, Turquia, Itália, Suíça. Agora é tema de duas sinfonias (Itália e USA), e teve seu texto ilustrado pelo famoso desenhista Moebius (autor, entre outros, dos cenários de O Quinto Elemento e Alien).

Seu trabalho está traduzido em 67 idiomas e editado em mais de 150 países.

PAULO COELHO é:

  • Mensageiro da Paz da ONU
  • Embaixador da União Européia para o Diálogo Intercultural para o ano de 2008
  • Membro do Board do Instituto Shimon Peres Para a Paz
  • Conselheiro Especial da UNESCO para "Diálogos Interculturais e convergências espirituais”
  • Membro da diretoria da Schwab Foundation for Social Entrepreneurship
  • Membro da Academia Brasileira de Letras
  • Member of the Board, Doha Center of Media Freedom
  • Member of INI International Advisory Council - HARVARD INTERNATIONAL NEGOTIATION INICIATIVE

Principais prêmios e condecorações:

  • Elle - Melhor escritor Internacional Espanha 2008
  • Inauguração da Rúa Paulo Coelho - Santiago de Compostela Espanha 23/06/2008
  • Distinction of Honour from the City of Odense (Hans Christian Andersen Award) (Denmark 2007)
  • Las Pergolas Prize 2006 by the Association of Mexican Booksellers (ALMAC) (Mexico 2006)
  • “I Premio Álava en el Corazón" (Espanha, 2006)
  • “Wilbur Award” (Estados Unidos, 2006)
  • Premio Kiklop pelo O Zahir na categoria “Hit of the Year” (Croácia, 2006)
  • Premio “DirectGroup Inrternational Author” (Alemanha 2005)
  • “Goldene Feder Award” (Alemanha, 2005)
  • “The Budapest Prize” (Hungria, 2005)
  • “Order of Honour of Ukraine” (Ucrânia, 2004)
  • "Order of St. Sophia" (Ucrânia, 2004)
  • “Nielsen Gold Book Award" pelo O Alquimista (Inglaterra, 2004)
  • Premio “Ex Libris Award” pelo o livro Onze Minutos (Serbia, 2004)
  • Premio “Golden Bestseller Prize” do jornal "Večernje Novosti" (Serbia, 2004)
  • Oficial de Artes e Letras (França, 2003)
  • Premio Bambi de Personalidade Cultural do Ano (Alemanha, 2001)
  • Premio Fregene de Literatura (Itália, 2001)
  • "Crystal Mirror Award" (Polônia, 2000)
  • "Chevalier de L'Ordre National de la Legion d'Honneur" (França, 2000)
  • “Golden Medal of Galicia” (Espanha, 1999)
  • "Crystal Award" World Economic Forum (1999)
  • "Comendador de Ordem do Rio Branco" (Brasil, 1998)
  • Finalista para o "International IMPAC Literary Award" (Irlanda, 1997)
  • "Golden Book" (Yugoslavia '95, '96, '97, '98)
  • “Super Grinzane Cavour Book Award” (Itália, 1996)
  • "Flaiano International Award" (Itália '96)
  • "Knight of Arts and Letters" (França '96)
  • "Grand Prix Litteraire Elle" (França/95)

Se desejar ler algumas obras deste autor, clique na lista abaixo e baixe algumas obras do mesmo.

1986 -  O Manual Prático do Vampirismo
1987 - O Diário de um Mago
1988 - O Alquimista
1990 - Brida
1990 -  O Dom Supremo
1992 - As Valkírias
1994 - Na Margem do Rio Piedra eu Sentei e Chorei
1996 - O Monte Cinco
1997 - Cartas de Amor do Profeta
1997 - O Manual do Guerreiro da Luz
1998 - Veronika Decide Morrer
2000 - O Demônio e a Srta Prym
2001 - Histórias de Pais Filhos e Netos
2002 - Discurso de posse na Academia Brasileira de Letras
2003 - Interview
2003 - Obrigado Presidente Bush
2005 - O Zahir
2006 - A Bruxa de Portobello


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